Durante muitos anos, a sustentabilidade das embalagens foi tratada principalmente como uma iniciativa voluntária das empresas.
Agora, esse cenário começa a mudar.
Com a publicação do Decreto nº 12.688/2025, que regulamenta o sistema nacional de logística reversa para embalagens plásticas, fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes passam a atuar dentro de um modelo mais estruturado, com metas graduais de recuperação de embalagens e de incorporação de conteúdo reciclado em determinados produtos.
Na prática, isso significa que o desenvolvimento de uma embalagem deixa de considerar apenas fatores como custo, resistência e produtividade. A reciclabilidade, o design da estrutura e a conformidade regulatória passam a integrar as decisões técnicas desde o início do projeto.
Para a indústria, esse movimento representa mais do que uma obrigação legal. É uma oportunidade de tornar suas embalagens mais eficientes, preparadas para a economia circular e alinhadas às novas exigências do mercado.
O que muda com o novo Decreto?
O Decreto nº 12.688 regulamenta dispositivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) voltados especificamente às embalagens plásticas.
Entre os principais pontos estão:
- estabelecimento de metas nacionais progressivas de recuperação de embalagens plásticas;
- metas graduais de incorporação de conteúdo reciclado em determinadas embalagens;
- fortalecimento dos sistemas de logística reversa;
- rastreabilidade das informações relacionadas ao conteúdo reciclado;
- participação compartilhada entre fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes na gestão do ciclo de vida das embalagens.
As metas passam a ser implementadas de forma progressiva, permitindo que o setor adapte seus processos ao longo dos próximos anos.
Também é importante destacar que o próprio decreto prevê exceções para embalagens submetidas a regulamentações específicas, como determinadas aplicações voltadas ao setor de alimentos, que seguem normas próprias de segurança sanitária.
O design da embalagem passa a ter papel estratégico
As novas exigências mostram que a sustentabilidade não depende apenas da destinação final da embalagem.
Ela começa no projeto.
Quanto mais simples for a estrutura de um material, maiores tendem a ser suas possibilidades de identificação, separação e reciclagem dentro da cadeia produtiva.
É nesse contexto que os filmes plásticos monomateriais vêm ganhando protagonismo.
Ao utilizar predominantemente uma única família de resinas, essas estruturas podem facilitar as etapas de triagem e reciclagem mecânica quando comparadas a estruturas multimateriais mais complexas, desde que sejam adequadas à aplicação e às tecnologias disponíveis na cadeia de reciclagem.
Esse conceito, conhecido internacionalmente como Design for Recycling, vem sendo incorporado por fabricantes que buscam desenvolver embalagens alinhadas às exigências regulatórias e às práticas da economia circular.
Sustentabilidade não pode comprometer a performance
Uma dúvida comum das indústrias é:
“Se aumentarmos o conteúdo reciclado ou alterarmos a estrutura da embalagem, ela continuará oferecendo o mesmo desempenho?”
A resposta depende do projeto.
Cada embalagem possui requisitos técnicos específicos relacionados a:
- resistência mecânica;
- propriedades de barreira;
- selagem;
- estabilidade dimensional;
- velocidade das linhas automáticas;
- vida útil do produto (shelf-life).
Por isso, adaptar uma embalagem às novas exigências ambientais não significa simplesmente substituir uma matéria-prima.
É necessário reavaliar toda a engenharia do produto para garantir que desempenho operacional, proteção do conteúdo e conformidade regulatória caminhem juntos.
O papel do fabricante mudou
Essa transformação também muda a função do fabricante de embalagens.
Hoje, fornecer um filme plástico vai muito além da produção.
As indústrias precisam de parceiros capazes de participar do desenvolvimento técnico dos projetos, avaliando fatores como:
- estrutura das resinas;
- possibilidade de utilização de conteúdo reciclado quando aplicável;
- redução de espessura (downgauging);
- desenvolvimento de estruturas monomateriais;
- desempenho nas linhas de envase;
- resistência mecânica;
- requisitos de shelf-life;
- conformidade com a legislação vigente.
Essa atuação conjunta reduz riscos, evita retrabalhos e contribui para que a adequação às novas regras aconteça sem comprometer a produtividade.
A logística reversa começa antes do descarte
Quando se fala em logística reversa, muitas pessoas imaginam apenas a coleta das embalagens após o consumo.
Na realidade, ela começa muito antes.
Uma embalagem desenvolvida considerando reciclabilidade, eficiência de material e facilidade de processamento já nasce mais preparada para retornar ao ciclo produtivo.
É justamente essa visão integrada que permitirá às empresas atenderem às novas exigências regulatórias de forma mais consistente e competitiva.
O Decreto nº 12.688 representa um marco importante para o setor de embalagens plásticas no Brasil.
Mais do que estabelecer metas de recuperação e de conteúdo reciclado, ele incentiva uma mudança de cultura: a embalagem deixa de ser avaliada apenas pelo seu desempenho durante o uso e passa a ser analisada ao longo de todo o seu ciclo de vida.
Nesse novo cenário, empresas que contam com suporte técnico especializado terão mais facilidade para desenvolver projetos eficientes, compatíveis com as exigências regulatórias e preparados para as transformações da economia circular.
Na Poliembalagens, acreditamos que inovação e conformidade caminham juntas. Por isso, trabalhamos lado a lado com nossos clientes no desenvolvimento de soluções em plástico flexível que conciliam desempenho, segurança operacional e evolução tecnológica, sempre considerando as necessidades específicas de cada aplicação e os desafios do mercado.
















